Duas operadoras venezuelanas de tv por cabo suspenderam quarta-feira as emissões locais do canal de televisão “Russia Today (RT)”, na versão espanhola, motivando posições discordantes dos utilizadores.
A medida de suspensão foi aplicada pela operadora de televisão Simple TV (canal 709) e pela Supercable, que esta noite apresentavam uma imagem preta.
No entanto, registando algumas intermitências, a RT em Espanhol, continua a ser transmitida na Venezuela, pelo Governo venezuelano, em sinal digital aberto (gratuito) no padrão ISDBT, usando como fonte a página web da televisão russa.
“Na minha casa, já tínhamos proibido colocar esse canal, porque no outro dia passou imagens muito violentas e a sua programação é excessivamente tendenciosa. A suspensão da emissão vai trazer-nos alguma paz”, explicou um luso-descendente à Agência Lusa.
Cliente da Simple Tv, José Severim, lamentou que algumas estações de televisão estejam suspensas na Venezuela, desde há vários anos, entre elas a CNN em Espanhol e o canal colombiano NTN24, porque “a programação não agradava ao regime”.
“Sou contra qualquer tipo de censura, mas acho que a medida de hoje se justifica”, frisou.
Entretanto, através da Internet, vários utilizadores questionam a decisão tomada pelas operadoras venezuelanas.
“A SimpleTV viola o direito à informação, ao tirar do seu sinal o canal RT em Espanhol”, denunciou Hector Cabrera no Twitter.
Na mesma rede social o utilizador Luís Peña, instou os venezuelanos a ficarem alerta porque “querem desinformar o povo”, e Alberto J. Vargas questiona o que dirá a Comissão Nacional de Telecomunicações da Venezuela (Conatel).
Segundo a imprensa venezuelana, também a Directv, a principal operadora de televisão por cabo da América Latina, e da qual SimpleTV faz parte, notificou hoje as empresas associadas que deixaria de retransmitir a estação RT em Espanhol.
Segundo constatou a Agência Lusa, pelas 17:30 horas locais de hoje (21:30 horas em Lisboa) a RT continuava a transmitir no satélite IS21 (58.0W em espanhol e em inglês), No IS35 (34.5W), no mesmo transponder da Venezuela.
No satélite Hispasat 30.0W as emissões em espanhol e árabe apresentavam uma imagem preta e sem som.
A imprensa venezuelana dá conta que o canal russo RT foi suspenso pelas operadoras de cabo da Finlândia e da Alemanha.
Lançada em 2005 como Rússia Hoje, a RT, financiada pelo Estado russo, desenvolveu emissoras e websites em várias línguas, incluindo inglês, francês, espanhol, alemão e árabe.
Na última segunda-feira, o Presidente Nicolás Maduro, telefonou a Vladimir Putin, para expressar-lhe “um ‘forte apoio’ à Rússia” e condenar “as ações desestabilizadoras dos EUA e da NATO”, salientando “a importância de combater a campanha de mentiras e desinformação lançada pelos países ocidentais”, explica uma mensagem do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) russo, na rede social Twitter.
Na sexta-feira, a Venezuela pediu uma resolução pacífica do conflito Rússia-Ucrânia, depois da ofensiva militar russa em várias localidades ucranianas, acusando a NATO e os Estados Unidos da América (EUA) de violarem os acordos existentes.
A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar com três frentes na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamentos em várias cidades. As autoridades de Kiev contabilizaram, até ao momento, mais de 2.000 civis mortos, incluindo crianças, e,segundo a ONU, os ataques já provocaram mais de 100 mil deslocados e pelo menos 836 mil refugiados na Polónia, Hungria, Moldova e Roménia.
O Presidente russo, Vladimir Putin, justificou a “operação militar especial” na Ucrânia com a necessidade de desmilitarizar o país vizinho, afirmando ser a única maneira de a Rússia se defender e garantindo que a ofensiva durará o tempo necessário.
O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional, e a União Europeia e os Estados Unidos, entre outros, responderam com o envio de armas e munições para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas para isolar ainda mais Moscovo.