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Matondo Alberto, Cornélio Caley, Pocas Pascoal, Conceição Diamante, Dilo Paulo, Henrique Abranches e Nanuto são os vencedores da edição 2026 do Prémio Nacional de Cultura e Artes

todayNovembro 6, 2026 14

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Pela longevidade da sua actividade artística, marcada por mais uma exposição, “Nsinga Ya Mfumu” A Mão do Mestre, realizada recentemente, associada à presença das suas obras em numerosas exposições colectivas e individuais, realizadas em Angola e no exterior, que confirmam a consistência de um percurso que resistiu às mudanças de tendências e gerações, Matondo Alberto, de 78 anos de idade, é o grande vencedor da edição 2026 do Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de Artes Visuais e Plásticas.

O anúncio da 27.ª edição do Prémio Nacional de Cultura e Artes aconteceu esta sexta-feira, no edifício do Ministério da Cultura.

Na categoria de Cinema e Audiovisual, o júri atribuiu o prémio à realizadora e artista visual Maria Esperança Pascoal, “Pocas Pascoal”, pelo reconhecimento de um percurso artístico singular, marcado pelo pioneirismo, pela consistência e pela permanente contribuição para o cinema angolano.

Já na categoria de Dança, o prémio foi atribuído a Dilo Paulo, pelas criações “Memórias da Água” e “Muxima”, exibidas em Julho de 2026, em Luanda.

Dilo Paulo Alberto iniciou o seu percurso em Angola aos 12 anos e ganhou reconhecimento nacional em 2011, ao vencer o Bounce Angola, sendo distinguido como Melhor Bailarino de Angola. É um artista com projecção internacional, com mais de duas décadas de trajectória na dança e nas artes performativas.

Bailarino, coreógrafo, director artístico, professor e produtor cultural.

Segundo o júri, a atribuição do Prémio Nacional de Cultura e Artes a Dilo Paulo justifica-se pela estética, qualidade técnica e artística, criatividade, investigação coreográfica, expressão corporal e interpretativa, conteúdo histórico-social, composição cénica, impacto cultural e dimensão formativa e de intercâmbio.

A título póstumo, Henrique Abranches venceu o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de Literatura, pela dimensão, diversidade, originalidade e profunda influência do seu trabalho na construção da literatura e da cultura angolanas.

Nascido em Lisboa, a 29 de Setembro de 1932, Henrique Mário de Carvalho Moutinho Abranches faleceu na África do Sul, em 2006, e realizou toda a sua formação intelectual e artística ligada a Angola, onde se radicou desde 1947.

Na sua vasta produção literária, destacam-se títulos como “Diálogo”, “Cântico Barroco”, “Sobre a Colina de Calomboloca”, “O Elogio do Paradoxo”, “A Konkhava de Feti”, “O Clã de Novembrino”, “Kissoko de Guerra”, “Titânia”, “Misericórdia para o Reino do Kongo”, “Os Senhores do Areal”, “Contos Divagantes”, “As Marés de Bacilon” e “E Nsanta Madiya Habitou entre Nós”.

O reconhecimento institucional da sua criação literária foi ratificado pelos Prémios Nacionais de Literatura atribuídos às obras “A Konkhava de Feti” (1981) e “O Clã de Novembrino” (1989).

Pela excepcional longevidade da sua carreira, que atravessa mais de cinco décadas de actividade e diferentes gerações da música angolana, e pelo seu contributo artístico, marcado pela afirmação do saxofone não apenas como instrumento acompanhante, mas também como instrumento protagonista da música popular e instrumental angolana, introduzindo inovação interpretativa através de uma forma mais melódica de tocar, o Prémio Nacional de Cultura e Artes 2026, na categoria de Música, foi atribuído, a título póstumo, ao saxofonista Nanuto, falecido a 15 de Maio de 2026.

A colaboração com artistas de diferentes gerações também marcou o percurso de Nanuto. O saxofonista participou em gravações de músicos como Elias Dya Kimuezo, Carlos Burity, Lulas da Paixão e Teta Lando, bem como de intérpretes de gerações posteriores, entre os quais Yuri da Cunha, Matias Damásio, Yola Semedo, Ivan Alekxei e Ary.

O Prémio Nacional de Cultura e Artes 2026, na categoria de Teatro, foi atribuído à actriz Maria da Conceição Domingos Diamante, pelo trabalho desenvolvido ao longo de mais de quatro décadas como actriz.

Conhecida artisticamente como Sany Diamante, iniciou a sua carreira artística por volta de 1984/1985, como dançarina, integrando grupos de dança como o Afro Club Doce Compasso, o Pré-Fabricado e o Kilandukilo.

Para o júri, reconhecer Sany Diamante é também reconhecer o valor daqueles que fazem da arte uma forma de participação e de serviço à sociedade. A importância do seu percurso não se mede apenas pelo número de personagens que interpretou, mas pela capacidade do seu trabalho de comunicar, emocionar, preservar valores culturais e despertar consciências.

Pela obra “Nas Duas Margens da Vida – Homenagem à Memória”, foi distinguido Cornélio Caley, intelectual e criador literário sob o pseudónimo Timóteo Ulika.

Aos 82 anos de idade, Cornélio Caley é membro da União dos Escritores Angolanos e da Academia Angolana de Letras. Enquanto intelectual e criador literário sob o pseudónimo Timóteo Ulika, publicou obras incontornáveis de ficção e ensaio, tais como “A Rola de Tchingandu” (1980/1988), “Kandundu” (2000/2001) e “O Julgamento do Homem” (2003/2005), além de ensaios sociológicos de relevo.

Segundo o júri, a atribuição do prémio à obra “Nas Duas Margens da Vida – Homenagem à Memória” assenta no cumprimento exemplar dos requisitos regulamentares e dos critérios de avaliação estabelecidos para o Prémio Nacional de Cultura e Artes, edição de 2026.

Publicada em Setembro de 2025 pela Mayamba Editora, a obra cumpre o requisito temporal de elegibilidade. Promove, de forma notável, a construção de uma sociedade fundada na equidade de oportunidades, na fraternidade, no compromisso patriótico e na “unidade na diversidade”. Ao valorizar as matrizes culturais ovimbundu e a sua integração no mosaico cultural nacional, contribui para o reconhecimento e o respeito pela pluralidade identitária, em consonância com os princípios consagrados na Constituição da República de Angola.

O júri refere ainda que a atribuição do Prémio Nacional de Cultura e Artes a esta obra se justifica pelo rigor científico demonstrado, pelo extraordinário valor antropológico e memorialista, pela densidade do seu contributo para a afirmação da angolanidade e, sobretudo, pela formulação de uma matriz humanista de pacificação dos espíritos e de reconciliação nacional.

Editor: Juliana Nunes

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