Há histórias que começam com desilusão, mas que o futebol, caprichoso como é, reserva para mais tarde capítulos de glória. A do Wiliete Sport Clube SAD de Benguela parece seguir precisamente esse roteiro.
Depois de uma estreia amarga nas Afrotaças, no ano passado, a formação benguelense regressou à Liga dos Clubes Campeões Africanos decidida a mudar o rumo da sua curta história continental. E, na Tundavala, no Lubango, não deixou espaço para dúvidas.
Quatro golos, nenhuma resposta e uma vitória histórica.
Na primeira mão da eliminatória preliminar de acesso à fase de grupos da Liga dos Clubes Campeões da CAF, o Wiliete goleou o Foresters da Suazilândia por4-0, numa exibição que devolve confiança à equipa comandada tecnicamente por Beto Bianchi e coloca Benguela mais perto de um novo capítulo na competição.
O despertar começou aos 17 minutos, quando Gibelé encontrou o caminho das redes e abriu a porta para uma tarde diferente.
Aos 33 minutos, surgiu Mabululu, que aproveitou a oportunidade para ampliar a vantagem e levar o Wiliete para o intervalo com dois golos de conforto.
Mas se a primeira parte já anunciava uma resposta à altura, a segunda confirmou que a equipa benguelense não estava disposta a baixar o ritmo.
Aos 54 minutos, Mabululu voltou a marcar. Bisou, colocou o resultado em 3-0 e fez crescer a festa nas bancadas do estádio Tundavala.
Quando o Foresters procurava apenas sobreviver à avalanche ofensiva do Wiliete, César Cangue, aos 80 minutos, apareceu para fechar as contas: 4-0.
Uma goleada que vale mais do que o resultado.
Vale a primeira vitória do Wiliete na história da Liga dos Clubes Campeões Africanos. Vale também os primeiros golos marcados pelo clube nesta competição. E vale, sobretudo, uma espécie de resposta à amargura vivida na estreia do ano passado.
O Wiliete voltou a África. Desta vez, porém, voltou diferente.
O Tundavala, estádio emprestado para a ocasião, transformou-se no palco de uma noite histórica para o futebol benguelense. Ali, o Wiliete deixou de ser apenas um estreante à procura do seu espaço e mostrou que também pode discutir, marcar e vencer no futebol continental.
O 4-0 deixa a equipa de Beto Bianchi com uma vantagem confortável para a segunda mão e abre boas perspectivas quanto à continuidade na prova. Ainda assim, a eliminatória permanece em aberto e exige concentração máxima no próximo encontro.
Porque em África, como no futebol, a história não se escreve apenas numa tarde.
Mas esta já ninguém tira ao Wiliete.
Da amargura à glória. Da estreia dócil à primeira vitória. Do silêncio dos golos à festa de quarto.
No Tundavala, o Wiliete não apenas venceu.
O Wiliete acordou para África.
Por: António Malungo