O especialista em relações internacionais, Bernardino Neto defendeu cautela e otimismo moderado ao anúncio do acordo sobre um roteiro para as negociações de paz entre o governo congolês e os rebeldes do M23, como avança hoje um comunicado conjunto emitido no final das discussões realizadas na Suíça.
As duas partes, que assinaram em dezembro um acordo de paz negociado pelos Estados Unidos, “elaboraram, em colaboração com os mediadores, um roteiro que define as etapas sucessivas e o calendário das negociações no âmbito do acordo-quadro de Doha”, refere o comunicado divulgado ontem, domingo(23), pelo governo suíço, citado pela agência France-Press. Bernardino Neto que evoca a prudência, sustenta a sua posição ao questionar sobre quem são os principais beneficiários do conflito armado que graça o país vizinho. Clique no áudio abaixo e ouça:
Sublinha-se que o governo da RDC e os rebeldes do M23 reafirmaram o seu compromisso de prosseguir as negociações com vista a uma paz global e a uma resolução do conflito através da implementação do acordo-quadro.
As negociações, que decorreram à porta fechada entre 17 e 21 de agosto, contaram também com a presença de representantes dos Estados Unidos, do Qatar, da Suíça, da Comissão da União Africana e do Togo, que atuou como mediador da União Africana. Ambas as partes declararam ter chegado a acordo quanto à importância de um método padronizado para comunicar alegações de violações do cessar-fogo.
Está prevista para hoje, segunda-feira, 24, em Minembwe, na província de Kivu do Sul, na RDC, uma primeira missão de verificação do cessar-fogo, de acordo com o comunicado. O leste da RDC, relembramos, é palco de conflitos há mais de 30 anos. Nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, o exército congolês enfrenta o grupo armado antigovernamental M23, que, desde 2021, tomou o controlo de vastas áreas nas províncias de Kivu do Norte e Ituri, com o apoio do Ruanda e do seu exército.