
Luanda — Numa noite de intensidade pura e andebol levado ao limite, o Al Ahly do Egipto sagrou-se campeão da Taça dos Clubes Campeões Africanos de Andebol Feminino ao vencer o 1.º de Agosto por 21-20. A margem mínima reflete a batalha tática e defensiva travada no Pavilhão Multiusos do Kilamba, que acabou com a celebração das egípcias e a quebra da hegemonia angolana.
Ao contrário dos jogos de pontuação alta, esta final ficou marcada pela rigidez defensiva e pela exibição monumental das guardiãs de ambas as balizas, num autêntico teste de paciência e nervos de aço. O Al Ahly entrou com um bloco defensivo 6-0 extremamente agressivo, dificultando as penetrações das meias-distâncias angolanas. O 1.º de Agosto respondeu com igual intensidade, impondo contacto físico e forçando posses de bola longas. O marcador nunca registou grandes diferenças. Cada golo do 1.º de Agosto na pontas ou em ataques rápidos era devolvido no ataque seguinte pelo Al Ahly com remates ajustados aos 9 metros. Com o marcador empatado a 20 golos nos instantes finais, a ansiedade tomou conta das artistas da bola, tendo as agostinas falhado um livre de sete metros a 30 segundos do apito final, em sentido inverso as Egípcias a 10 segundos do fim converteram um livre dos sete metros que ditou a vitória da equipa visitante.
No setor masculino, o Al Ahly confirmou o seu favoritismo ao derrotar o seu grande rival Zamalek na final, garantindo uma histórica e inédita dobradinha para o clube do Cairo, que ostenta agora os dois maiores títulos do andebol africano de clubes em simultâneo.
O Petro de Luanda, campeão em título e clube mais vitorioso da história da prova, viu o seu percurso ser travado nas meias-finais frente ao Al Ahly. No jogo de atribuição do 3.º e 4.º lugares, as petrolíferas demonstraram a sua estofo competitivo e venceram o seu compromisso, garantindo o 3.º lugar no pódio continental.
Um Sinal de Alerta para o Andebol Angolano:
Nas edições mais recentes da prova, as equipas angolanas (com realce para o Petro e o 1.º de Agosto) habituaram o continente a finais dominadas e jogos controlados. O triunfo tangencial do Al Ahly confirma que o Norte de África reduziu drasticamente a distância e que os pormenores defensivos são agora decisivos ao mais alto nível.
Por: Paloma Carvalho.