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Presidente João Lourenço apela à execução das decisões da AUDA-NEPAD no encerramento da Cimeira

todayOutubro 3, 2026 11

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O Presidente da República, João Lourenço, defendeu este sábado, em El Alamein, no Egipto, que as decisões destinadas ao reforço da AUDA-NEPAD devem traduzir-se em acções concretas e resultados mensuráveis para as populações africanas.

Na sessão de encerramento da Cimeira dos Membros Fundadores da NEPAD, João Lourenço, na qualidade de Presidente do Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo da AUDA-NEPAD, destacou a necessidade de maior apropriação africana, eficácia institucional e capacidade de execução.

Leia, na íntegra, a alocução de encerramento do Presidente da República:

Alocução de Sua Excelência João Manuel Gonçalves Lourenço, Presidente da República de Angola e Presidente do Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo da AUDA-NEPAD, por Ocasião da Sessão de Encerramento da Cimeira dos Membros Fundadores da NEPAD
El Alamein, República Árabe do Egipto, 03 de Outubro de 2026

-Sua Excelência Évariste Ndayishimiye, Presidente da República do Burundi e Presidente em Exercício da União Africana;

-Sua Excelência Abdel Fattah El-Sisi, Presidente da República Árabe do Egipto e anfitrião da Cimeira dos Países Fundadores da NEPAD;

-Suas Excelências Chefes de Estado e de Governo dos Países Fundadores da NEPAD;

-Sua Excelência Mahmoud Ali Youssouf, Presidente da Comissão da União Africana;

-Excelentíssima Senhora Nardos Bekele-Thomas, Diretora Executiva da AUDA-NEPAD;

-Ilustres Convidadas e Convidados;

-Minhas Senhoras, Meus Senhores;

Chegámos ao fim dos nossos trabalhos, depois de uma discussão particularmente importante e oportuna sobre os vinte e cinco anos de percurso da NEPAD e sobre o futuro da AUDA-NEPAD.

Os nossos debates permitiram-nos revisitar uma trajectória que marcou profundamente a evolução da agenda de desenvolvimento do nosso continente e, sobretudo, olhar para o futuro com sentido de responsabilidade e com a consciência clara dos desafios que temos pela frente.

As reflexões que partilhámos evidenciaram a dimensão desses desafios e confirmaram que, enquanto líderes africanos, temos perante a História uma responsabilidade que não podemos adiar.

Ouvimos a apresentação feita pela Directora Executiva sobre os progressos alcançados pela AUDA-NEPAD e sobre as reformas necessárias para torná-la mais capaz de cumprir a sua missão, bem como as nossas reflexões que sintetizaram a nossa experiência e visão, que continuam a constituir uma referência importante para o reposicionamento estratégico da Agência.

As nossas deliberações concluíram de forma inequívoca que o próximo capítulo da AUDA‑NEPAD deve ser marcado por uma apropriação africana mais firme, por maior eficácia institucional e por uma cultura de execução orientada para resultados.

A tarefa que se impõe agora é a de transformar essa orientação em resultados tangíveis, que contribuam de forma objectiva para melhoria das condições de vida dos nossos cidadãos.

Para tal, o primeiro passo a dar consiste em assegurar que a AUDA-NEPAD disponha dos recursos, das capacidades técnicas e das condições institucionais necessárias para cumprir cabalmente o mandato que lhe foi confiado.

A apropriação africana deve, por isso, traduzir-se não apenas nas prioridades que definimos, mas também na nossa disponibilidade efectiva para apoiar as instituições responsáveis pela sua implementação.

É este compromisso traduzido em apoio político, técnico e financeiro que permitirá transformar decisões em resultados e garantir que a AUDA‑NEPAD desempenhe o papel estratégico que lhe cabe, na arquitectura de desenvolvimento do continente.

O passo seguinte traz à evidência o facto de que devemos adequar o máximo possível os projectos a serem implementados à realidade dos Estados-Membros, pois a eficácia da acção continental mede-se, em última instância, pela sua capacidade de produzir resultados no terreno.

É ali junto das nossas populações que as políticas e estratégias continentais ganham expressão concreta, que os projectos são implementados, que os investimentos são realizados, que as infra-estruturas são construídas e que os cidadãos devem sentir os benefícios das decisões que tomamos a nível continental.

A AUDA-NEPAD deve ser capaz de aproximar cada vez mais as prioridades continentais às necessidades concretas dos Estados-Membros, estabelecendo uma ligação mais forte entre a visão continental e a implementação nacional.

O passo final e talvez o mais importante tem a ver com o facto de que os compromissos que resultarem desta Cimeira devem ser executados de forma efectiva.

Nenhuma declaração, por mais ambiciosa que seja, substitui o valor da implementação. A força das nossas decisões não estará apenas naquilo que decidirmos hoje, mas na capacidade que tivermos de assegurar que essas decisões sejam efectivamente cumpridas.

As deliberações desta Cimeira serão, por isso, avaliadas pela sua capacidade de reforçar a AUDA-NEPAD, melhorar a sua eficácia e produzir impactos concretos e mensuráveis.

O Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo deve continuar a assumir plenamente a sua responsabilidade de orientação política e supervisão estratégica, trabalhando de forma estreita com os Estados-Membros, com a Comissão da União Africana, com a AUDA-NEPAD e com as Comunidades Económicas Regionais, para assegurar que as orientações emanadas desta Cimeira sejam traduzidas em acções concretas com responsabilidades claras, acompanhamento regular e resultados verificáveis.

-Excelências,

-Minhas Senhoras, Meus Senhores

Os desafios que África enfrenta hoje são diferentes, em muitos aspectos, daqueles que estiveram na origem da NEPAD, mas a necessidade de liderança africana de determinação política e de capacidade de definir e executar as nossas próprias prioridades de desenvolvimento, continuarão sempre válidas.

Por isso espero que esta Cimeira marque o início de um envolvimento reforçado e regular por parte dos Membros Fundadores e dos demais Estados‑Membros, consolidando a dinâmica colectiva necessária para levar adiante a visão que nos une.

Faço votos de que El Alamein se afirme como símbolo de um novo ciclo de ambição continental e que saiamos daqui com um compromisso firme e revitalizado em prol do fortalecimento da construção de uma África mais integrada, mais próspera e mais soberana.

Muito Obrigado pela Vossa atenção!

Editor: Carla Quipungo

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