A final caótica do Campeonato Africano das Nações de 2025, vencida pelo Senegal diante do anfitrião Marrocos, por (1–0) após prolongamento, não ficará impune. Depois de uma partida tensa, marcada por diversos incidentes controversos, a CAF reagiu oficialmente e instaurou, nesta segunda-feira, um rigoroso inquérito que poderá culminar em duras sanções disciplinares.
Num comunicado divulgado após a partida, a entidade continental não poupou palavras:
“A Confederação Africana de Futebol (CAF) condena o comportamento inaceitável de certos jogadores e dirigentes durante a final. A CAF condena veementemente qualquer comportamento inadequado durante as partidas, em particular o que possa afectar a equipa de arbitragem ou os organizadores de um jogo, como foi o caso dessa final do CAN.”
A CAF também afirmou que está “a examinar todas as imagens” e que o caso será encaminhado às autoridades competentes para que “medidas apropriadas sejam tomadas” contra os possíveis culpados das duas selecções nacionais agora sob investigação.
O Senegal, novo campeão continental, está a ser investigado depois da tentativa de deixar o campo. Para os senegaleses, a principal questão é o incidente ocorrido após o penálti assinalado pelo árbitro da RDC a favor do Marrocos e a consequente interrupção da partida por quase 10 minutos. Orientados pelo seu treinador, Pape Thiaw, vários jogadores dos Leões de Teranga abandonaram o relvado em protesto, uma acção considerada uma grave perturbação ao bom andamento da final e que poderá resultar numa severa sanção para a selecção senegalesa. Mesmo que os jogadores tenham permanecido em campo, a CAF pode considerar o incidente uma tentativa inaceitável de pressionar a equipa de arbitragem, liderada por Jean Jacques Ndala Ngambô, isso a somar à tentativa de invasão de campo por alguns adeptos e aos confrontos envolvendo alguns dos seguranças do estádio.
Quanto ao Marrocos, é alvo no caso do famoso “guardanapo”, uma cena considerada absurda, porém simbólica, que está a aumentar a controvérsia: o episódio da toalha pertencente ao guarda-redes senegalês Edouard Mendy. No final da partida, vários jogadores marroquinos, incluindo Ismaël Saibari, e alguns seguranças tentaram impedir o guarda-redes de usar a toalha, com que ele habitualmente seca as luvas.
Imagens televisivas que correram o mundo mostram Achraf Hakimi a atirar fora a referida toalha, particularmente para trás dos painéis de publicidade, enquanto outros jogadores se aglomeram ao redor do jovem guarda-redes suplente, Yehvann Diouf, que procurou recuperá-la. Essa cena foi considerada contrária ao espírito do fair play, situação irónica, pois o Marrocos acabou por receber o Prémio Fair Play do torneio, através de Achraf Hakimi.
Entretanto, 24 horas depois da consagração e já em Dakar, onde foram recebidos em apoteose numa festa que começou após a chegada, com um enorme cortejo automóvel pelas principais artérias da cidade, o Senegal, através de alguns jogadores, lançou sérias insinuações contra o país anfitrião do CAN 2025.
Segundo alguns deles, falando à imprensa local, ao deixarem o campo protestavam também contra o que consideraram envenenamento de atletas senegaleses, designadamente Krépin Diatta, Ousseynou Niang e Pape Matar Sarr.
Falando em conferência de imprensa, o lateral-esquerdo do Galatasaray, Ismaïl Jakobs, insinuou que outros eventos antes da partida também contribuíram para a indignação da sua selecção nacional. Jakobs mencionou as misteriosas ausências de Krépin Diatta, que inicialmente era esperado como titular, e de Ousseynou Niang, de repente afectados por um estranho mal-estar antes do início do jogo, bem como de Pape Matar Sarr, que chegou mesmo a desmaiar no intervalo. Sem afirmar explicitamente, o jogador do Galatasaray insinuou que os seus companheiros poderiam ter sido vítimas de envenenamento.