{"id":53681,"date":"2022-02-28T22:32:34","date_gmt":"2022-02-28T21:32:34","guid":{"rendered":"https:\/\/rna.ao\/rna.ao\/?p=53681"},"modified":"2022-02-28T22:32:34","modified_gmt":"2022-02-28T21:32:34","slug":"apos-tres-dias-e-40-quilometros-a-pe-estudante-angolano-encontra-a-paz-na-polonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rna.ao\/rna.ao\/2022\/02\/28\/apos-tres-dias-e-40-quilometros-a-pe-estudante-angolano-encontra-a-paz-na-polonia\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s tr\u00eas dias e 40 quil\u00f3metros a p\u00e9, estudante angolano encontra a paz na Pol\u00f3nia"},"content":{"rendered":"<div class=\"mx-3 mx-md-5 article-text margin-top-30\">\n<p class=\"article-lead\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-53682\" src=\"https:\/\/rna.ao\/rna.ao\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/46736D02-1331-4053-BC91-1209E326EAA0-770x433.jpeg\" alt=\"\" width=\"770\" height=\"433\" srcset=\"https:\/\/rna.ao\/rna.ao\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/46736D02-1331-4053-BC91-1209E326EAA0-770x433.jpeg 770w, https:\/\/rna.ao\/rna.ao\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/46736D02-1331-4053-BC91-1209E326EAA0-768x432.jpeg 768w, https:\/\/rna.ao\/rna.ao\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/46736D02-1331-4053-BC91-1209E326EAA0.jpeg 800w\" sizes=\"(max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><br \/>\nResidente na Ucr\u00e2nia h\u00e1 um ano, o estudante angolano Daniel Valdir \u00e9 um dos milhares de cidad\u00e3os que fugiu daquele pa\u00eds procurando ref\u00fagio na vizinha Pol\u00f3nia, onde chegou ap\u00f3s tr\u00eas dias de viagem atribulada marcada pela &#8220;afli\u00e7\u00e3o&#8221; e &#8220;confus\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"hidden-content relative\">\n<div class=\"mx-3 mx-md-5 article-text\">\n<section class=\"article-body\">Com a escalada do conflito, agravaram-se tamb\u00e9m as preocupa\u00e7\u00f5es do jovem de 26 anos, estudante de tecnologia de extra\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo e g\u00e1s e DJ em `part-time`, que na sexta-feira passada decidiu deixar a capital ucraniana, Kiev, em dire\u00e7\u00e3o a Lviv, nas proximidades da fronteira polaca, na companhia de um amigo.<\/p>\n<p>&#8220;Houve muita confus\u00e3o, era muita gente a tentar entrar nos comboios e estavam a dar prioridade \u00e0s mulheres e crian\u00e7as&#8221;, contou \u00e0 Lusa, explicando que na altura j\u00e1 era quase imposs\u00edvel conseguir um bilhete para a viagem.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o se conseguia, nem nas m\u00e1quinas nem na esta\u00e7\u00e3o&#8221;, acrescentou. A prioridade eram os cidad\u00e3os ucranianos, mulheres e crian\u00e7as. Mas muitos outros, como Valdir, acabaram por aproveitar a confus\u00e3o e seguiram mesmo assim, sem t\u00edtulo de transporte para Lviv, onde chegaram cerca de nove horas depois.<\/p>\n<p>&#8220;Fic\u00e1mos na esta\u00e7\u00e3o, muito apreensivos&#8221;, relatou. Nas ruas, o cen\u00e1rio militarizado, com patrulhas de soldados ucranianos, e o ru\u00eddo das sirenes contribu\u00edam para elevar a tens\u00e3o dos que ali se juntaram, procurando sentir-se mais protegidos dos bombardeamentos.<\/p>\n<p>A esta\u00e7\u00e3o tornou-se um mosaico de nacionalidades, incluindo muitos africanos. Al\u00e9m de angolanos, havia ganeses, camaroneses, nigerianos. &#8220;Muita gente aflita&#8221;, resume Daniel Valdir.<\/p>\n<p>Foi a\u00ed tamb\u00e9m que o jovem encontrou um grupo de 40 angolanos tamb\u00e9m decididos a sair o mais rapidamente poss\u00edvel da Ucr\u00e2nia. \u00c0 falta de comboio decidiram organizar-se em pequenos grupos e procurar t\u00e1xis que os levassem at\u00e9 \u00e0 fronteira.<\/p>\n<p>&#8220;Conseguimos arranjar um carro, mas quando cheg\u00e1mos a\u00ed a uns 40 quil\u00f3metros da fronteira disseram-nos que era o limite e mandaram-nos sair&#8221;, declarou.<\/p>\n<p>\u00c0 sua frente estendia-se uma longa fila de autom\u00f3veis em fuga e o jovem angolano e os seus companheiros n\u00e3o tiveram outra alternativa sen\u00e3o caminhar at\u00e9 \u00e0 fronteira, enfrentando os nervos, o cansa\u00e7o e o frio.<\/p>\n<p>Depois de cerca de sete horas a andar a p\u00e9, alcan\u00e7aram finalmente o desejado port\u00e3o do posto fronteiri\u00e7o. Mas ao contr\u00e1rio do que esperavam, a entrada n\u00e3o foi imediata.<\/p>\n<p>&#8220;Houve outra vez confus\u00e3o estava tudo muito desorganizado, todos aos empurr\u00f5es e a tentar passar, era dif\u00edcil estarmos ali. Tent\u00e1mos passar durante tr\u00eas horas e depois desistimos&#8221;, disse.<\/p>\n<p>J\u00e1 de noite, o frio tornou-se mais intenso e a tens\u00e3o e a fadiga apoderam-se de uma das angolanas do grupo que come\u00e7ou a sentir-se mal.<\/p>\n<p>&#8220;Ela estava a tremer de frio, n\u00e3o conseguia respirar e desmaiou&#8221;. Os companheiros tentam ent\u00e3o voltar ao port\u00e3o em busca de aux\u00edlio, mas os guardas n\u00e3o se demovem.<\/p>\n<p>&#8220;Ningu\u00e9m nos ajudou, disseram que t\u00ednhamos de esperar ali mesmo, a\u00ed achei o tratamento mesmo desumano&#8221;, lamentou o estudante, acrescentando que a jovem acabou por ser socorrida por outros angolanos e foi recuperando a consci\u00eancia.<\/p>\n<p>Para apaziguar o frio, acenderam-se fogueiras, preparando a noite ao relento.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s est\u00e1vamos muito frustrados, n\u00e3o consegu\u00edamos entender por que ningu\u00e9m vinha em nosso aux\u00edlio, reclam\u00e1mos muito, mas n\u00e3o t\u00ednhamos no\u00e7\u00e3o que, do outro lado do port\u00e3o, ainda era Ucr\u00e2nia&#8221;, continuou.<\/p>\n<p>Finalmente, durante a madrugada, Daniel conseguiu aproximar-se do controlo e submeter \u00e0s autoridades os seus documentos para poder continuar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Pol\u00f3nia onde chegou na manh\u00e3 de domingo.<\/p>\n<p>J\u00e1 do outro lado, os angolanos eram esperados por autocarros das autoridades polacas que os transportaram at\u00e9 um centro de acolhimento.<\/p>\n<p>&#8220;A\u00ed encontr\u00e1mos o pessoal da embaixada, que depois nos encaminhou para um hotel onde nos encontr\u00e1mos, em Vars\u00f3via&#8221;, e onde estavam j\u00e1 cerca de 50 angolanos, sendo esperados mais compatriotas, adiantou.<\/p>\n<p>Questionado sobre se sentiu discriminado durante esta viagem, Daniel Valdir reiterou que a prioridade foi dada aos cidad\u00e3os ucranianos. &#8220;Mas tenho consci\u00eancia que todo mundo estava em p\u00e2nico&#8221;, acrescentou o jovem, ressalvando que tudo poderia ter sido mais bem organizado.<\/p>\n<p>Daniel Valdir, aliviado pelo fim da jornada, adiantou que todos se encontram bem neste momento, apesar de se sentirem &#8220;fracos&#8221; e &#8220;debilitados devido ao cansa\u00e7o&#8221;.<\/p>\n<p>Para muitos dos seus compatriotas, adiantou, o objetivo \u00e9 continuar a viagem e seguir para outras paragens pois &#8220;n\u00e3o querem ficar na Pol\u00f3nia, n\u00e3o se sentem seguros&#8221;.<\/p>\n<p>A R\u00fassia lan\u00e7ou na quinta-feira de madrugada uma ofensiva militar na Ucr\u00e2nia, com for\u00e7as terrestres e bombardeamento de alvos em v\u00e1rias cidades, que j\u00e1 mataram mais de 350 civis, incluindo crian\u00e7as, segundo Kiev. A ONU deu conta de mais de 100 mil deslocados e quase 500 mil refugiados na Pol\u00f3nia, Hungria, Moldova e Rom\u00e9nia.<\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Residente na Ucr\u00e2nia h\u00e1 um ano, o estudante angolano Daniel Valdir \u00e9 um dos milhares de cidad\u00e3os que fugiu daquele pa\u00eds procurando ref\u00fagio na vizinha Pol\u00f3nia, onde chegou ap\u00f3s tr\u00eas dias de viagem atribulada marcada pela &#8220;afli\u00e7\u00e3o&#8221; e &#8220;confus\u00e3o&#8221;. 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