{"id":214850,"date":"2026-04-18T21:41:54","date_gmt":"2026-04-18T20:41:54","guid":{"rendered":"https:\/\/rna.ao\/rna.ao\/?p=214850"},"modified":"2026-04-18T21:41:54","modified_gmt":"2026-04-18T20:41:54","slug":"discurso-na-integra-do-presidente-joao-lourenco-na-recepcao-ao-papa-leao-xiv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rna.ao\/rna.ao\/2026\/04\/18\/discurso-na-integra-do-presidente-joao-lourenco-na-recepcao-ao-papa-leao-xiv\/","title":{"rendered":"Discurso na \u00edntegra do Presidente Jo\u00e3o Louren\u00e7o na recep\u00e7\u00e3o ao Papa Le\u00e3o XIV"},"content":{"rendered":"<p>O Presidente, Jo\u00e3o Louren\u00e7o discursou, este s\u00e1bado, em Luanda, na cerim\u00f3nia oficial de recep\u00e7\u00e3o ao Papa Le\u00e3o XIV, no \u00e2mbito da visita apost\u00f3lica de quatro dias a Angola.<\/p>\n<p>Leia o discurso completo:<\/p>\n<p>Sua Santidade Papa Le\u00e3o XIV, Sumo Pont\u00edfice da Igreja Cat\u00f3lica Romana,<\/p>\n<p>-Distintos Membros da delega\u00e7\u00e3o do Vaticano,<\/p>\n<p>-Caros Membros do Governo,<\/p>\n<p>-Excelent\u00edssimos Senhores Deputados da Assembleia Nacional,<\/p>\n<p>-Distintos Membros da Confer\u00eancia Episcopal de Angola e S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe,<\/p>\n<p>-Estimados Membros do Corpo Diplom\u00e1tico acreditado na Rep\u00fablica de Angola,<\/p>\n<p>-Senhoras e Senhores das Organiza\u00e7\u00f5es representativas da Sociedade Civil,<\/p>\n<p>-Minhas Senhoras, Meus Senhores<\/p>\n<p>Ao receber Vossa Santidade em Luanda, desejo-Vos, no meu nome pr\u00f3prio, no da minha fam\u00edlia e no do povo angolano, as boas-vindas a Angola, pa\u00eds que O acolhe com alegria e entusiasmo.<\/p>\n<p>Expressamos o nosso grande regozijo por estar entre n\u00f3s nestes pr\u00f3ximos dias, em que ter\u00e1 a oportunidade de constatar o grande carinho e simpatia de que goza por parte dos fi\u00e9is cat\u00f3licos, dos crist\u00e3os e dos angolanos em geral.<\/p>\n<p>Neste acto em que est\u00e3o presentes representantes dos v\u00e1rios sectores da vida nacional angolana, gostaria de Vos expressar o qu\u00e3o honrados nos sentimos por t\u00ea-Lo t\u00e3o pr\u00f3ximo de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Esta visita, a terceira que um Sumo Pont\u00edfice realiza ao nosso pa\u00eds, \u00e9 o reflexo das rela\u00e7\u00f5es construtivas que a Rep\u00fablica de Angola e a Santa S\u00e9 mant\u00eam h\u00e1 d\u00e9cadas e que sinalizam, hoje, mais um passo no refor\u00e7o do di\u00e1logo e das bases sobre as quais assenta o grande papel social da Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>Importa recordar que o primeiro contacto oficial entre a Santa S\u00e9 e esta regi\u00e3o de \u00c1frica remonta ao s\u00e9culo XVII, quando o Pr\u00edncipe Ant\u00f3nio Manuel Nsako Ne Vunda, mais conhecido por \u201cNegrita\u201d, se deslocou de Mbanza Congo, ent\u00e3o capital do Reino do Congo, at\u00e9 Roma, por incumb\u00eancia do seu Rei, para encetar uma dilig\u00eancia diplom\u00e1tica junto da Santa S\u00e9.<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas entre a Rep\u00fablica de Angola e a Santa S\u00e9 foram formalizadas num contexto pol\u00edtico nacional diferente daquele que levou \u00e0 assinatura, aos 13 de Setembro de 2019, do Acordo-Quadro que estabeleceu os par\u00e2metros jur\u00eddicos das rela\u00e7\u00f5es entre a Rep\u00fablica de Angola e a Santa S\u00e9.<\/p>\n<p>Sua Santidade,<br \/>\nMinhas Senhoras, Meus Senhores,<\/p>\n<p>Mesmo nas circunst\u00e2ncias mais dif\u00edceis do passado, o di\u00e1logo entre as autoridades angolanas e as institui\u00e7\u00f5es religiosas cat\u00f3licas manteve-se sempre voltado para a constru\u00e7\u00e3o de entendimentos que passaram tamb\u00e9m pelo interc\u00e2mbio de delega\u00e7\u00f5es ao mais alto n\u00edvel, materializado pelas visitas de Chefes de Estado angolanos ao Vaticano em pelo menos tr\u00eas ocasi\u00f5es.<\/p>\n<p>Esta busca constante de di\u00e1logo e de interac\u00e7\u00e3o entre o Estado e a Igreja Cat\u00f3lica ajudou o Governo angolano na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas sociais, com a realiza\u00e7\u00e3o de investimentos nos sectores da sa\u00fade, da educa\u00e7\u00e3o e ensino, da oferta de \u00e1gua, energia el\u00e9ctrica, habita\u00e7\u00e3o, na cria\u00e7\u00e3o de emprego e no combate \u00e0 pobreza.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma miss\u00e3o em que estamos profundamente empenhados e com a no\u00e7\u00e3o plena de que se trata de um desafio complexo e dif\u00edcil, que requer tempo e recursos que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o abundantes quanto desejar\u00edamos, para melhorarmos os \u00edndices de qualidade de vida dos angolanos.<\/p>\n<p>Gostar\u00edamos de poder contar com um envolvimento mais construtivo da Igreja Cat\u00f3lica na condi\u00e7\u00e3o de parceira social do Estado, para juntos trabalharmos no prop\u00f3sito de alcan\u00e7ar o progresso e o desenvolvimento econ\u00f3mico e social do nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>A ideia central da aten\u00e7\u00e3o aos pobres, plasmada na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica<br \/>\nDilexi Te de Vossa Santidade, em que considera, cito: \u201cDeus tem um lugar especial no seu cora\u00e7\u00e3o para aqueles que s\u00e3o discriminados e oprimidos\u201d e \u201capela a escolhas radicais para ajudar os mais fracos\u201d, tem uma resson\u00e2ncia muito especial entre n\u00f3s, governantes, porque serve de guia na nossa ac\u00e7\u00e3o quotidiana de luta contra as desigualdades, a indiferen\u00e7a e a exclus\u00e3o social.<\/p>\n<p>Sua Santidade,<br \/>\nMinhas Senhoras, Meus Senhores,<br \/>\nExcel\u00eancias,<\/p>\n<p>Estou seguro de que Vossa Santidade ter\u00e1 a oportunidade de observar mais de perto a profundidade da f\u00e9 dos angolanos e de apreender de forma mais objectiva as iniciativas que o Estado angolano empreende para dignificar locais de culto e peregrina\u00e7\u00e3o, de que real\u00e7o a Bas\u00edlica da Nossa Senhora da Muxima, em fase de constru\u00e7\u00e3o, onde os crist\u00e3os cat\u00f3licos poder\u00e3o expressar em melhores condi\u00e7\u00f5es a sua devo\u00e7\u00e3o a Deus.<\/p>\n<p>Somos um Estado laico, onde cada cidad\u00e3o pode expressar livremente a sua f\u00e9, fazendo op\u00e7\u00f5es pelas confiss\u00f5es religiosas com as quais mais se identifica, sem nenhuma restri\u00e7\u00e3o \u00e0 sua liberdade de escolha.<\/p>\n<p>O Catolicismo tem uma grande express\u00e3o, que se reflecte no grande n\u00famero de crentes e na sua grande expans\u00e3o pelo territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>Temos em Angola uma grande diversidade de religi\u00f5es, que convivem entre si pacificamente e trazem \u00e0 evid\u00eancia o car\u00e1cter profundamente tolerante dos angolanos, tendo-se consolidado j\u00e1 a pr\u00e1tica de todos os anos, em algumas datas hist\u00f3ricas, se realizarem cultos ecum\u00e9nicos, que s\u00e3o rotativamente dirigidos por l\u00edderes de diferentes confiss\u00f5es religiosas.<\/p>\n<p>Sua Santidade<br \/>\nMinhas Senhoras, Meus Senhores,<br \/>\nExcel\u00eancias,<\/p>\n<p>A traject\u00f3ria e a experi\u00eancia da Rep\u00fablica de Angola ao longo das \u00faltimas cinco d\u00e9cadas constituem uma boa ilustra\u00e7\u00e3o do facto de sermos uma Na\u00e7\u00e3o que consagra a resolu\u00e7\u00e3o das crises pelo di\u00e1logo.<\/p>\n<p>Trata-se de um forte marco identit\u00e1rio da nossa diplomacia, que tem moldado de maneira significativa a nossa pol\u00edtica externa e que nos tem levado a desenvolver iniciativas diversas em prol da paz no nosso continente.<\/p>\n<p>Olhamos para o mundo como um espa\u00e7o de coexist\u00eancia entre pessoas e na\u00e7\u00f5es de culturas e religi\u00f5es diferentes e com a firme convic\u00e7\u00e3o de que, apesar desta diversidade, todos podem e devem conviver pacificamente.<\/p>\n<p>S\u00f3 em paz e em harmonia podemos todos desfrutar dos recursos que a<br \/>\nNatureza coloca ao nosso dispor.<\/p>\n<p>Lamentavelmente, assistimos cada vez mais a uma corrida desenfreada \u00e0s mat\u00e9rias-primas, aos recursos energ\u00e9ticos, aos recursos minerais e outros, tomados pela for\u00e7a das armas dos ex\u00e9rcitos mais poderosos do mundo contra pa\u00edses soberanos.<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio internacional tem regras bem estabelecidas que, uma vez cumpridas, as empresas e os Estados, atrav\u00e9s de contratos e de acordos, podem ter acesso aos recursos que precisam para a satisfa\u00e7\u00e3o das suas necessidades, sem que tenham de recorrer \u00e0 guerra.<\/p>\n<p>Vive-se um momento perigoso com os conflitos que se proliferam por todos os continentes.<\/p>\n<p>O M\u00e9dio Oriente, ber\u00e7o do Cristianismo, do Isl\u00e3o e do Juda\u00edsmo e de grandes civiliza\u00e7\u00f5es, de quem a Humanidade tem muito que agradecer, devia ser uma zona de paz, de conc\u00f3rdia e de fraternidade.<br \/>\nPelo contr\u00e1rio, constatamos com muita m\u00e1goa o sofrimento dos povos da Palestina, do L\u00edbano e de todos os pa\u00edses do Golfo P\u00e9rsico, regi\u00e3o produtora e exportadora de petr\u00f3leo e g\u00e1s para uma boa parte do mundo e com economias pr\u00f3speras e em franco e acelerado crescimento, a ruir como consequ\u00eancia das guerras que lhes impuseram.<\/p>\n<p>Apelamos ao fim definitivo da guerra, \u00e0 abertura do Estreito de Ormuz pela via negocial e ao estabelecimento de uma paz duradoura na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Face \u00e0 probabilidade de agravamento do conflito, que nos aproxima cada vez mais do abismo, o mundo apela a Vossa Santidade para que, do alto da Sua autoridade moral, continue a desempenhar um papel de construtor de pontes, de apaziguamento dos esp\u00edritos, de resgate dos valores humanistas, de busca da conc\u00f3rdia e do entendimento entre os Homens.<\/p>\n<p>\u00c9 urgente que todos os estadistas influentes e figuras p\u00fablicas com reconhecida autoridade moral actuem conjuntamente para assegurar que, nas rela\u00e7\u00f5es internacionais, a justi\u00e7a e o di\u00e1logo prevale\u00e7am sobre o uso da for\u00e7a.<\/p>\n<p>Desejo a Vossa Santidade uma boa estadia em Angola e uma miss\u00e3o pastoral prof\u00edcua e de grande sucesso.<br \/>\nMuito Obrigado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Presidente, Jo\u00e3o Louren\u00e7o discursou, este s\u00e1bado, em Luanda, na cerim\u00f3nia oficial de recep\u00e7\u00e3o ao Papa Le\u00e3o XIV, no \u00e2mbito da visita apost\u00f3lica de quatro dias a Angola. 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