{"id":199422,"date":"2025-11-24T16:01:46","date_gmt":"2025-11-24T15:01:46","guid":{"rendered":"https:\/\/rna.ao\/rna.ao\/?p=199422"},"modified":"2025-11-24T16:01:46","modified_gmt":"2025-11-24T15:01:46","slug":"discurso-do-presidente-joao-lourenco-na-7-a-cimeira-uniao-africana-uniao-europeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rna.ao\/rna.ao\/2025\/11\/24\/discurso-do-presidente-joao-lourenco-na-7-a-cimeira-uniao-africana-uniao-europeia\/","title":{"rendered":"Discurso do Presidente Jo\u00e3o Louren\u00e7o na 7.\u00aa Cimeira Uni\u00e3o Africana\u2013Uni\u00e3o Europeia"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-199423\" src=\"https:\/\/rna.ao\/rna.ao\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_7460-770x473.jpeg\" alt=\"\" width=\"770\" height=\"473\" srcset=\"https:\/\/rna.ao\/rna.ao\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_7460-770x473.jpeg 770w, https:\/\/rna.ao\/rna.ao\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_7460-1170x718.jpeg 1170w, 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Africana;<\/p>\n<p>-Sua Excel\u00eancia Ursula Van der Leyen, Presidente da Comiss\u00e3o Europeia;<\/p>\n<p>-Sua Excel\u00eancia Ant\u00f3nio Costa, Presidente do Conselho Europeu;<\/p>\n<p>-Excel\u00eancias Chefes de Delega\u00e7\u00f5es;<\/p>\n<p>-Ilustres Convidados;<\/p>\n<p>-Minhas Senhoras, Meus Senhores;<\/p>\n<p>-Excel\u00eancias,<\/p>\n<p>\u00c9 com grande honra que Vos dou as boas-vindas a Luanda, cidade onde, desde hoje, nos debru\u00e7aremos sobre quest\u00f5es fundamentais das rela\u00e7\u00f5es entre a Uni\u00e3o Africana e a Uni\u00e3o Europeia, subordinadas ao tema \u201cPromover a Paz e a Prosperidade atrav\u00e9s de um Multilateralismo Eficaz\u201d.<\/p>\n<p>Na dupla qualidade de Presidente da Rep\u00fablica de Angola e de Presidente em Exerc\u00edcio da Uni\u00e3o Africana, manifesto-Vos o nosso regozijo por acolhermos t\u00e3o ilustres e destacados dignit\u00e1rios de \u00c1frica e da Europa em Luanda neste m\u00eas de Novembro, que tem para os angolanos um significado especial, principalmente neste ano de 2025, em que celebramos o jubileu dos 50 anos da nossa Independ\u00eancia Nacional.<\/p>\n<p>Aceitem do povo angolano e do Governo da Rep\u00fablica de Angola as nossas boas-vindas, votos de boa estadia e os nossos sinceros agradecimentos por se terem juntado a n\u00f3s para a realiza\u00e7\u00e3o da 7.\u00aa Cimeira Uni\u00e3o Africana-Uni\u00e3o Europeia, um acontecimento que se destina a ser, ao mesmo tempo, um guia das nossas rela\u00e7\u00f5es, uma b\u00fassola no nosso caminho conjunto e uma ponte que une os dois continentes, que t\u00eam profundos la\u00e7os hist\u00f3ricos de coopera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Luanda ergue-se hoje como uma tribuna de esperan\u00e7a e o s\u00edmbolo do querer e da vontade africana de estabelecer com a Europa rela\u00e7\u00f5es que se aprofundem continuamente em busca de benef\u00edcios para ambos os lados, neste mundo cada vez mais conturbado que enfrenta desafios complexos que a todos afectam, marcado pelas crises de seguran\u00e7a, alimentar, energ\u00e9tica, humanit\u00e1ria e sanit\u00e1ria, arrastando consigo as migra\u00e7\u00f5es em massa e o desemprego global.<\/p>\n<p>Excel\u00eancias,<\/p>\n<p>Minhas Senhoras, Meus Senhores<\/p>\n<p>Assinala-se este ano o 25.\u00ba anivers\u00e1rio da parceria Uni\u00e3o Africana-Uni\u00e3o Europeia, podendo-se afirmar que, no transcorrer deste quarto de s\u00e9culo, o conhecimento m\u00fatuo aprofundou-se, a coopera\u00e7\u00e3o bilateral solidificou-se e a parceria que mantemos ampliou-se para todos os campos e sectores de interesse m\u00fatuo, com resultados que nos animam a seguir em frente, pois os bons resultados est\u00e3o \u00e0 vista e o futuro afigura-se cada vez mais promissor.<\/p>\n<p>Temos vindo a construir canais de di\u00e1logo e de coopera\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias \u00e1reas, tais como as da Paz e Seguran\u00e7a, Com\u00e9rcio e Investimento, Governa\u00e7\u00e3o, Educa\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade, Ac\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica e Transforma\u00e7\u00e3o Digital.<\/p>\n<p>Nestes \u00faltimos meses em que a Rep\u00fablica de Angola assumiu a Presid\u00eancia pro-tempore da Uni\u00e3o Africana, definimos eixos claros de prioridades que reflectem tanto as aspira\u00e7\u00f5es continentais como o nosso compromisso com a transforma\u00e7\u00e3o de \u00c1frica.<\/p>\n<p>Entendemos que um passo essencial deveria ser dado no sentido da consolida\u00e7\u00e3o da paz, da estabilidade e da seguran\u00e7a em \u00c1frica, por se tratar de factores sem os quais ter\u00edamos maiores dificuldades de promover a acelera\u00e7\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, o empoderamento da juventude e das mulheres e de garantir progressos em mat\u00e9ria de resili\u00eancia clim\u00e1tica e de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>Nada disso \u00e9 realiz\u00e1vel sem que a voz de \u00c1frica seja efectivamente escutada ao n\u00edvel da governa\u00e7\u00e3o global, em que deveremos acentuar o nosso papel no que se refere \u00e0s reformas estruturais capazes de tornar as institui\u00e7\u00f5es internacionais mais inclusivas e representativas, para que seja arquitectado um sistema internacional em que todos participem nas decis\u00f5es em igualdade de circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Temos consci\u00eancia dos esfor\u00e7os que devem ser envidados para aprimorarmos de uma maneira geral os modelos de coopera\u00e7\u00e3o essenciais, para que se consiga tirar os maiores benef\u00edcios poss\u00edveis da parceria que mantemos, que se tem revelado din\u00e2mica e muito orientada no sentido de contribuir para a resolu\u00e7\u00e3o dos principais problemas e desafios que enfrentamos no processo do desenvolvimento econ\u00f3mico e social de nossos pa\u00edses.<\/p>\n<p>Esta 7.\u00aa Cimeira Uni\u00e3o Africana-Uni\u00e3o Europeia oferece-nos a oportunidade de fazermos uma reflex\u00e3o profunda sobre a nossa traject\u00f3ria e procedermos \u00e0s correc\u00e7\u00f5es que se afigurem necess\u00e1rias, pois \u00c1frica e a Europa, num quadro de respeito m\u00fatuo, t\u00eam muito mais a ganhar do que a perder se caminharem sempre juntos, refor\u00e7arem o interc\u00e2mbio entre si, complementando-se com o que cada parte tem de melhor para o outro.<\/p>\n<p>A Europa tem o know-how e a tecnologia, \u00c1frica tem as mat\u00e9rias-primas fundamentais para as ind\u00fastrias do mundo, tem as terras ar\u00e1veis que n\u00e3o est\u00e3o ainda saturadas, contaminadas com excesso de fertilizantes e agrot\u00f3xicos, tem cursos de \u00e1gua abundantes para irriga\u00e7\u00e3o e para a produ\u00e7\u00e3o de energia limpa, tem sol em abund\u00e2ncia para a produ\u00e7\u00e3o de energia igualmente limpa e tem abundante m\u00e3o-de-obra jovem, que com forma\u00e7\u00e3o adequada pode mudar o quadro vigente.<\/p>\n<p>Juntos temos tudo para beneficiar e desenvolver os nossos continentes. Tudo quanto temos de fazer \u00e9 partilhar, cooperar em benef\u00edcio m\u00fatuo.<\/p>\n<p>A Europa s\u00f3 tem a ganhar se tiver parceria e coopera\u00e7\u00e3o com uma \u00c1frica desenvolvida, que n\u00e3o remeta emigrantes ilegais para os pa\u00edses europeus atrav\u00e9s do Mar Mediterr\u00e2neo e que n\u00e3o tenha necessidade constante de pedir doa\u00e7\u00f5es e o perd\u00e3o da d\u00edvida.<\/p>\n<p>Temos muito bons exemplos de coopera\u00e7\u00e3o entre a Uni\u00e3o Europeia e \u00c1frica, que se ilustram de uma maneira geral pelas iniciativas que englobam o Global Gateway e, no plano bilateral, particularizando a rela\u00e7\u00e3o Angola-Uni\u00e3o Europeia, real\u00e7o a parceria que se desenvolve no \u00e2mbito do \u201cCaminho Conjunto\u201d, que se tem processado de forma satisfat\u00f3ria, recomendando-se que se mantenha e se consolide.<\/p>\n<p>H\u00e1 bem poucos dias participei no F\u00f3rum Global Gateway em Bruxelas e, no decorrer desse grande evento, manifestei os pontos de vista de \u00c1frica e os nossos pr\u00f3prios sobre a coopera\u00e7\u00e3o que a Uni\u00e3o Africana desenvolve com a Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>N\u00e3o seria demais voltar a referir que h\u00e1 alguns projectos estruturantes em \u00c1frica, designadamente os que est\u00e3o relacionados com a acelera\u00e7\u00e3o da conectividade digital, com a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e com o Corredor do Lobito, infra-estrutura que representa grandes ganhos na liga\u00e7\u00e3o entre o Continente Africano e o resto do mundo, que vai alavancar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e industrial, viabilizar a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica regional e continental, promover o com\u00e9rcio no \u00e2mbito da Zona de Livre Com\u00e9rcio Continental Africana e tamb\u00e9m assegurar a canaliza\u00e7\u00e3o de minerais cr\u00edticos e de importantes commodities.<\/p>\n<p>Excel\u00eancias,<\/p>\n<p>Minhas Senhoras, Meus Senhores<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o que a Uni\u00e3o Africana mant\u00e9m com a Uni\u00e3o Europeia deve ser guiada por um esp\u00edrito de pragmatismo, isento de peias burocr\u00e1ticas que muitas vezes retardam o bom andamento e a implementa\u00e7\u00e3o de importantes ac\u00e7\u00f5es projectadas conjuntamente.<\/p>\n<p>Apreciamos bastante o modo como funciona a nossa coopera\u00e7\u00e3o, mas parece-nos \u00fatil que, em alguns aspectos, sobretudo os que dizem respeito \u00e0s medidas que devemos procurar tomar para garantir a fixa\u00e7\u00e3o dos jovens africanos nos seus pa\u00edses de origem, conviria que realiz\u00e1ssemos projectos que assegurem a empregabilidade desse segmento da popula\u00e7\u00e3o, come\u00e7ando por lhes garantir a forma\u00e7\u00e3o profissional, para darem resposta \u00e0 car\u00eancia de quadros que temos em \u00c1frica, a fim de se habilitarem a integrar as equipas ligadas \u00e0 execu\u00e7\u00e3o dos projectos conjuntos que desenvolvemos e a responderem \u00e0s necessidades em termos de m\u00e3o-de-obra de empresas europeias e outras que investem no nosso continente.<\/p>\n<p>Falando de empreendedorismo, de investimento e de todas as iniciativas que possam fazer mover as economias dos nossos dois continentes, considero pertinente referir o facto de que \u00c1frica tem uma necessidade vital de poder ter acesso ao financiamento com custos comport\u00e1veis, para aplic\u00e1-lo na execu\u00e7\u00e3o de obras de alcance estrat\u00e9gico destinadas a garantir a electrifica\u00e7\u00e3o do continente, a industrializa\u00e7\u00e3o, a mobilidade de pessoas, bens e servi\u00e7os e conseguir-se, assim, edificar as bases que v\u00e3o efectivamente impulsionar o desenvolvimento do continente.<\/p>\n<p>Permitam-me fazer uma alus\u00e3o \u00e0 4.\u00aa Confer\u00eancia Internacional sobre o Financiamento para o Desenvolvimento, realizada em Sevilha de 30 de Junho a 3 de Julho do corrente ano, durante a qual os nossos parceiros europeus assumiram um posicionamento que aplaudimos, por se terem manifestado sens\u00edveis ao apelo que hoje reitero em nome de toda a \u00c1frica, ligado \u00e0 urg\u00eancia de se trabalhar no sentido de se conseguir uma reforma abrangente do sistema financeiro global, que inclua mecanismos mais justos de restrutura\u00e7\u00e3o da d\u00edvida, a expans\u00e3o das aloca\u00e7\u00f5es de direitos especiais de saque e instrumentos inovadores de financiamento que apoiem o esfor\u00e7o de desenvolvimento africano.<\/p>\n<p>Temos grande necessidade de uma nova vis\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o no plano financeiro entre \u00c1frica e as institui\u00e7\u00f5es credit\u00edcias internacionais, para que possamos investir no desenvolvimento, evitando a asfixia provocada pelo endividamento insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Excel\u00eancias,<\/p>\n<p>Minhas Senhoras, Meus Senhores<\/p>\n<p>Sempre dentro das nossas preocupa\u00e7\u00f5es com as quest\u00f5es que se prendem com o desenvolvimento de \u00c1frica, realiz\u00e1mos em Luanda, no m\u00eas transacto, a 4.\u00aa Confer\u00eancia Africana sobre o Financiamento das Infra-estruturas em \u00c1frica e, durante essa ocasi\u00e3o, abord\u00e1mos n\u00e3o apenas a necessidade urgente de garantir um acesso mais justo de \u00c1frica aos mercados globais de capitais, mas tamb\u00e9m a necessidade de se promoverem solu\u00e7\u00f5es lideradas por africanos no \u00e2mbito de parcerias p\u00fablico-privadas, no do investimento estrangeiro em infra-estruturas no continente africano, de modo a tornar as nossas economias mais robustas, mais competitivas e com maior capacidade de se inserirem na economia global.<\/p>\n<p>\u00c1frica n\u00e3o se pode manter na situa\u00e7\u00e3o de pobreza que dominou o panorama no continente durante d\u00e9cadas, porque isso representa um problema n\u00e3o s\u00f3 para n\u00f3s pr\u00f3prios, mas tamb\u00e9m para o resto do mundo que se vai confrontando com situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis que resultam do estado de car\u00eancia dos povos africanos, nomeadamente do surgimento com alguma frequ\u00eancia de epidemias diversas, emigra\u00e7\u00e3o massiva, conflitos internos e outros males que assolam \u00c1frica.<\/p>\n<p>\u00c9 com o objectivo de superarmos esse estado de coisas que atribuo uma grande relev\u00e2ncia \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o Uni\u00e3o Africana-Uni\u00e3o Europeia, apelando no sentido de, sempre que poss\u00edvel, serem refor\u00e7ados os meios e os recursos a serem disponibilizados para a dinamiza\u00e7\u00e3o crescente da coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica que desenvolvemos e para que empres\u00e1rios e investidores europeus se interessem por \u00c1frica e invistam na industrializa\u00e7\u00e3o do continente e em sectores da economia africana que impulsionem o crescimento e produzam benef\u00edcios rec\u00edprocos.<\/p>\n<p>As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas v\u00eam amea\u00e7ando cada vez mais o planeta, com o aquecimento global crescente e suas consequ\u00eancias, como o aumento significativo de fen\u00f3menos agressivos da Natureza, furac\u00f5es, tuf\u00f5es, tornados, vastas inunda\u00e7\u00f5es, aluimento de terras, seca severa, inc\u00eandios florestais e outros, que derivam do aumento das emiss\u00f5es de gases de efeito de estufa, por consumo excessivo de combust\u00edveis f\u00f3sseis e desmata\u00e7\u00e3o de uma vasta \u00e1rea de florestas, os pulm\u00f5es do planeta.<\/p>\n<p>Andamos de COP em COP, estando j\u00e1 na edi\u00e7\u00e3o 30 que teve lugar em Bel\u00e9m do Par\u00e1 no Brasil, sem que se vislumbre pelo menos uma tend\u00eancia de regress\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, porque de facto muito temos falado mas feito realmente pouco.<\/p>\n<p>Pelo seu muito baixo n\u00edvel de industrializa\u00e7\u00e3o, \u00c1frica \u00e9 o continente que menos produz e emite gases de efeito de estufa para a atmosfera, mas \u00e9 aquele que pode contribuir mais no combate \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, se aumentarmos a nossa produ\u00e7\u00e3o e transporta\u00e7\u00e3o de energia de fontes limpas, aproveitando o m\u00e1ximo do potencial h\u00eddrico e solar que o continente oferece, com a constru\u00e7\u00e3o de mais barragens hidroel\u00e9ctricas e parques fotovoltaicos de energia solar.<\/p>\n<p>Vamos continuar a lutar contra a desertifica\u00e7\u00e3o das nossas terras por ac\u00e7\u00e3o humana resultante da defloresta\u00e7\u00e3o, quer pelo abate indiscriminado das nossas esp\u00e9cies vegetais para com\u00e9rcio ilegal de madeira, quer pelos inc\u00eandios florestais com o argumento da necessidade de manter velhas pr\u00e1ticas tradicionais.<\/p>\n<p>Um grande investimento deve tamb\u00e9m ser feito no sentido de substituir a lenha e o carv\u00e3o vegetal por g\u00e1s de cozinha em grande parte dos lares no nosso continente, reduzindo assim a desmata\u00e7\u00e3o das nossas florestas, que \u00e9 dif\u00edcil de implementar pelas implica\u00e7\u00f5es financeiras e mesmo de ordem cultural, mas necess\u00e1ria e poss\u00edvel no m\u00e9dio\/longo prazo.<\/p>\n<p>Excel\u00eancias,<\/p>\n<p>Minhas Senhoras, Meus Senhores<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europeia enfrenta hoje um grande desafio de seguran\u00e7a, com a guerra contra a Ucr\u00e2nia que se arrasta j\u00e1 por quase quatro anos e que provocou at\u00e9 aqui um cortejo de mortes, feridos, deslocados internos e refugiados espalhados pela Europa, a destrui\u00e7\u00e3o de parte significativa das principais infra-estruturas do pa\u00eds e a ocupa\u00e7\u00e3o e anexa\u00e7\u00e3o de parte de seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Por sua parte, a Uni\u00e3o Africana enfrenta tamb\u00e9m uma sucess\u00e3o de mudan\u00e7as inconstitucionais de poder em alguns pa\u00edses da \u00c1frica Ocidental e, mais recentemente, num pa\u00eds da SADC, o Madag\u00e1scar; enfrenta o terrorismo no SAHEL, na Som\u00e1lia e em Mo\u00e7ambique, a guerra no Sud\u00e3o e no leste da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, sendo que, nestes dois casos, existe o perigo de secess\u00e3o dos pa\u00edses se a actual situa\u00e7\u00e3o prevalecer sem que sejam tomadas medidas adequadas que assegurem o fim da guerra e o estabelecimento de uma paz duradoura.<\/p>\n<p>Se tivermos em conta que o M\u00e9dio Oriente se encontra quase que a meia dist\u00e2ncia entre \u00c1frica e a Europa, n\u00e3o podemos deixar de falar do conflito israelo-palestino, em particular da situa\u00e7\u00e3o na Faixa de Gaza, que amea\u00e7a a paz e seguran\u00e7a de toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Aplaudimos os esfor\u00e7os envidados pelo Presidente Donald Trump e alguns pa\u00edses da Liga \u00c1rabe, que trouxeram uma esperan\u00e7a para o fim daquele conflito e a possibilidade da cria\u00e7\u00e3o do Estado da Palestina, como determinado pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas em resolu\u00e7\u00f5es do seu Conselho de Seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o de deteriora\u00e7\u00e3o grave da situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a na Europa, em \u00c1frica e no M\u00e9dio Oriente ao mesmo tempo, decorre da n\u00e3o-observ\u00e2ncia e obedi\u00eancia aos princ\u00edpios plasmados na Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas e do Direito Internacional, que regem as rela\u00e7\u00f5es entre os Estados.<\/p>\n<p>A viola\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios da n\u00e3o-agress\u00e3o, do respeito da Independ\u00eancia e da Soberania dos Estados, da necessidade da resolu\u00e7\u00e3o dos conflitos pela via pac\u00edfica atrav\u00e9s de negocia\u00e7\u00f5es, da n\u00e3o-inger\u00eancia nos assuntos internos dos Estados vem pondo em perigo a paz e a seguran\u00e7a mundiais.<\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o agrava-se com o facto de algumas das grandes pot\u00eancias membros permanentes do Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas ignorarem e desautorizarem o pr\u00f3prio \u00f3rg\u00e3o de que s\u00e3o membros, com suas medidas unilaterais baseadas na for\u00e7a da for\u00e7a e n\u00e3o na for\u00e7a dos princ\u00edpios universalmente consagrados.<\/p>\n<p>\u00c9 urgente que o multilateralismo seja resgatado, para o bem da Humanidade.<\/p>\n<p>Declaro aberta a 7.\u00aa Cimeira Uni\u00e3o Africana-Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Louren\u00e7o defendeu hoje, na abertura da 7.\u00aa Cimeira Uni\u00e3o Africana\u2013Uni\u00e3o Europeia, em Luanda, a necessidade de refor\u00e7ar o multilateralismo, a paz e a coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica como bases para uma parceria mais s\u00f3lida entre \u00c1frica e Europa. 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